Assistência e promoção de saúde presencial
O Instituto Flor da Floresta foi fundado por médicos em parceria com pajés, psicólogos, farmacêuticos e diversos outros profissionais de saúde. Desde seu início, um dos principais focos de trabalho é a promoção de saúde integral e assistência em saúde a populações amazônicas. O Dr. Cesar Carvalho e Dra. Marcela Thiemi, atuam com medicina de família e comunidade no município de Jordão, tendo realizado nos últimos 6 anos atendimentos na maioria das aldeias e comunidades ribeirinhas do município.
Os trabalhos são realizados através de atendimentos com equipe do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Juruá, bem como Equipe de Saúde da Família Ribeirinha de Jordão, além de atendimentos e ações promovidas de maneira particular pelo Instituto Flor da Floresta. Os atendimentos são realizados de maneira respeitosa e amorosa com as comunidades, integrando e complementando as ações com o trabalho dos pajés, parteiras e raizeiras locais, aplicando os princípios da competência cultural e integralidade em saúde, de forma que todos são valorizados e respeitados em seus saberes e capacidades e assim um melhor resultado no trabalho da equipe e saúde das populações é alcançado.
Ademais, desde 2020, são realizadas ao menos 2 vivências anuais transdisciplinares e transculturais em sáude com foco na medicina indígena nas aldeias do município, organizadas pelo instituto. Em tais vivências, participam desde pajés, parteiras, raizeiros, massoterapeutas, acupunturistas, as mais diversas variedades de profissionais de saúde integrativa e complementar, juntamente com especialistas médicas, enfermeiras e psicólogas das melhores universidades do país (como UFRJ, UFMG, UNESP) e de diversas partes do mundo, em vivências que promovem troca de saberes, de cuidados, assistência e promoção de saúde, através de atividades de educação em saúde, construção de obras de saneamento ecológico e captação de água, cozinhas comunitárias e outras ações em que todos os participantes são cuidados e se dedicam de alguma forma para o cuidado das comunidades, tendo tido sucesso em todos os anos com a satisfação dos envolvidos e melhora na saúde e qualidade de vida de todos e todas as participantes.
Trabalhos com telemedicina
O Instituto promove atendimentos em telemedicina nas aldeias Huni Kuin de Jordão desde 2021, através de provimento de profissionais médicos que fazem atendimento via vídeochamadas, e em alguns casos o instituto participou na aquisição e manutenção de sistemas de internet para possibilitar a conectividade nestes locais.
Em 2026, estamos sendo parte da equipe de implantação do maior projeto de telemedicina já realizado na região; O projeto K.DOCTOR 4.0, desenvolvido pela FPF Tech (FUNDAÇÃO AMAZÔNICA DE AMPARO À PESQUISA E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DESEMBARGADOR PAULO DOS ANJOS FEITOZA), através do Programa Prioritário INDÚSTRIA 4.0 E MODERNIZAÇÃO INDUSTRIAL, coordenado pelo CITS.AMAZONAS – Centro Internacional de Tecnologia de Software do Amazonas e financiado pela Foxconn, empresa gigante da tecnologia de ponta mundial responsável pela montagem de celulares Iphone e computadores Dell, entre outros. O Instituto Flor da Floresta está atuando como coordenador regional do projeto e sua equipe está sendo responsável pela implantação e validação dos sistemas de telemedicina, bem como assistência médica às populações que estão recebendo o projeto.
O projeto envolve o desenvolvimento de sistemas de atendimento em saúde automatizado inteligente, com totens de auto atendimento e cabines de telemedicina que contam com energia solar e internet próprias para comunidades isoladas, indígenas e ribeirinhas.
A primeira etapa do projeto foi a instalação dos totens Vital Doc desenvolvidos pela Foxconn. Tais máquinas realizam triagens automatizadas dos pacientes através da aferição de 9 sinais vitais e anamneses pré programadas pela equipe de saúde. Os dados então são salvos no sistema de prontuários e gestão em saúde Vital Doc, e podem ser acessados pelo paciente e pelos profissionais de saúde em qualquer local do mundo através de aplicativo de smart phone, facilitando a portabilidade de histórico em saúde pelos pacientes e avaliação pelos profissionais. O sistema também permite a gestão dos dados populacionais em saúde coletados, permitindo planejamentos em saúde pelos gestores e ações com base em dados epidemiológicos pela equipe de saúde.
O projeto forneceu 7 totens para o município de Jordão, 1 para a terra indígena Huni Kuin Igarapé do Caucho em Tarauacá e 1 para a terra indígena Katukina em Cruzeiro do Sul. Os totens já foram instalados nas unidades de saúde de Jordão (2 na unidade de atenção primária e 1 na unidade mista e 4 nas comunidades isoladas) e os outros restantes estão em processo de transferência.
Para além de tal inovação, o projeto está em fase intermediária de execução da segunda etapa, que consiste na implantação – em 4 locais que abrangem as regiões mais isolados do município, de cabines com sistema de internet e energia solar próprias, que contém um sistema de telemedicina através de computadores interligado com os totens, o qual realiza atendimentos com apoio inteligência artificial para transcrição das consultas e interpretação dos dados vitais colhidos pelas máquinas, incluindo tradução por legedas do idioma indígena Hãtxa Kuin para português durante as vídeochamadas.
As comunidades que receberam as unidades de saúde estão localizadas em pontos estratégicos das regiões mais isoladas do município : Aldeia Chico Curumim – abrangendo as terras indígenas do Alto Rio Jordão, Seringal Iracema – abrangendo as terras indígenas e comunidades ribeirinhas do Alto Rio Tarauacá, Seringal Novo Porto – abrangendo terras indígenas e comunidades ribeirinhas do Alto Rio Muru e Seringal Alagoas – abrangendo as comunidades ribeirinhas da Reserva Extrativista do Alto Rio Tarajuacá). Tais localidades são de acesso extremamente difícil, podendo demorar até 4 dias de viagem de barco para se chegar ao município na época do verão amazônico, em que os rios estão secos.
Os atendimentos já estão ocorrendo, os totens funcionando e as comunidades estão muito satisfeitas com o resultado. As funcionalidades de inteligência artificial no teleatendimento como tradução e interpretação do traçado D2 de eletrocardiograma estão em fase inicial de desenvolvimento e espera-se que até o final de 2026 estejam plenamente atuantes. Apenas a unidade digital de saúde da comunidade Novo Porto ainda está sendo construída e tem previsão para inauguração em Julho de 2026.